domingo, 7 de outubro de 2012

Sentimentos rotineiros.

Te amo e te odeio. É como se eu quisesse te dar um tiro e entrar na frente da bala para te salvar. Eu odeio o seu jeito de ser e agir, como pode me irritar tanto apenas com pequenos atos? Sua presença me importuna e até seu timbre de voz me deixa irritada. Agora eu me pergunto: por que ainda estou aqui?
Mas apesar de tudo, não consigo me imaginar com outro alguém. Quando você está (exclusivamente) comigo, é como se os meus (e os seus) problemas nunca existissem... Mas o que está acontecendo?
Por que não consigo acreditar em nenhuma palavra sua? Para falar a verdade, eu já acreditei, mas achei melhor não elevar minhas esperanças para que a queda não seja muito grande. Acho que por causa desse meu costume, fui me afastando de você cada vez mais, e você foi se tornando um estranho na minha vida (e você nem percebeu). Agora, não consigo depositar minha confiança em você, não acredito em nada do que você diz, apesar de todas as lágrimas... Mas todos nós sabemos que você não fez nada de errado!
Eu te amo, quero que isso fique bem claro.
Acho que isso não é justo com você, e nem comigo. Acho melhor terminar este conto toda antes que alguém saia machucado.

Escrito por: Spark

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Meninas e Sorvetes.


E lá estava eu. Tudo parecia tão pequeno visto daqui de cima, como se eu fosse a rainha de tudo. O vento estava frio e meu corpo estava congelando, mesmo com o meu jeans mais confortável e o meu maior moletom. Estava parada, de pé em cima do terraço do prédio em que morava, e sim senhores, ia pular. 8 andares, uma queda relativamente rápida. "Não vai doer nada" pensava, "Quando perceberem, já vou estar em terra firme, mas só o meu corpo vai estar em terra firme".
Via as pessoas lá em baixo passando, algumas apenas caminhando e outras muito apressadas, com seus saltos e gravatas apertados. Via pessoas saindo de lojas, lanchonetes e shoppings. Vi uma garotinha com fitas no cabelo saindo da minha sorveteria favorita com um sorvete enorme na mão, com um sorriso no rosto que me causou um pouco de inveja. Como eu queria ser uma daquelas pessoas, apenas ali, existindo. Mas eu não queria existir, queria sumir do mapa, explodir.
Estava cansada da vida, cansada de tudo e de todos, como se o Mundo estivesse conspirando contra mim. E acho que estava mesmo. Todos a minha volta me odiavam, falavam de mim pelas costas e sempre deixavam minha auto-estima abalada, seja com um comentário de mal gosto, seja com uma perna que a pessoa colocou no meu caminho e me fazendo cair na frente de todos. E essa era a minha rotina, dia após dia, pessoas me criticando, me fazendo mal e me humilhando. E sabe, eu cansei de tudo isso, pra quê ter uma vida se todos realmente não querem a presença da sua?
Parei um pouco e me sentei no parapeito do enorme precipício que estava prestes a pular. A menina de fitas no cabelo estava sentada na calçada, observando o seu sorvete que acabara de cair no chão. Será que isso tudo vai valer a pena? Estou prestes a me libertar das minhas mágoas se eu morrer? E aquelas pessoas que me fazem mal, vão se sentir orgulhosas do que fizeram depois que souberem da minha morte? Meus pais, o que farão? Pensei em todas essas questões, observava a menina sentada na calçada, estava triste e sozinha, me identifiquei com ela. Nós duas estamos tristes, mas a tristeza dela um dia vai passar, quando alguém lhe comprar outro sorvete. E por que a minha tristeza também não pode ser passageira?
Era isso que eu ia fazer, tornar a minha dor algo passageiro. Dar a volta por cima. Ter a "vingança" porque no momento, o que eu queria era fazer todas aquelas pessoas que me fizeram mal sofrerem, e sofrerem o dobro. Por isso eu decidi, daquele dia em diante, vou irritar a todos com a minha presença, se destacar entre todos, pois é isso que aquelas pessoas não gostam, da minha presença. E o que eu vou fazer, é ser confiante e mostrar ao mundo quem eu sou de verdade, da minha maneira. Desci do terraço, fui até a minha sorveteria favorita e comprei um sorvete para a menina de fitas no cabelo. A tristeza de nós duas tinha acabado.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Fotos suas.

Queria poder lembrar de tudo que aconteceu, mas nao lembro. Que coisa. Lembro que aquela noite, tiramos tantas fotos, e ainda tenho bastante delas. Nunca, ninguem tinha me chamado de 'monalisa'. Principalmente  depois, disse que nao achava a tal pintura bonita, e a coitada feia. 
Fiquei paralizada, sem reacao. Afinal, estaria me chamando de feia na minha cara?. - Ate entao, nao se sabe. Ri como uma coitada, coitada de mim. Na mesma hora, percebi que estava serio, e que era a unica a achar aquilo motivo de riso. Entao, voce se virou e disse:
- Monalisa, talvez seja comico. Mas tem algo nela que brilha... Por isso é tao admirada. 
- Talvez, ela fosse drag queen. - Finalmente, finalmente. Eu havia conseguido retirar um sorriso seu. 
Entao ali ficamos, andando em meio aquela cidade enorme, da qual nenhum de nos havia conhecido antes. Tao enorme, ate onde nossos olhos alcancavam. O céu, era coberto de torres e as nuvens extremamente brancas. Ali, que tinhamos nos conhecido. Obrigada, por me fazer lembrar.
Andando ali, achamos um litoral. Inesperado, mas achamos. Voce me contou a tal piada, sem graca do mamao papaya. Quando abriu aquele sorriso em seu rosto, fiquei a observar. Era um complemento perfeito para seus olhos azuis, pois estavam refletindo o mar. Caindo na risada, eu conseguia observar o tal 'brilho' que voce havia dito. Que me desculpe a tal pintura, mas nao. Ela nao o tinha. O tal brilho, estava todo em seus olhos. Todo o tempo. E voce ali, continuava a rir, achava "um barato" seu senso de humor fora de hora. 
Eu sabia que uma hora, nao o veria mais. Ja esperava. Eu tinha de ir tambem. Nao tinha como parar tudo isso. 
Entao, depois de dias eu fui embora com um envolope em maos. Fotos, o que havia dentro. Eu tenho olhado há tanto tempo, essas fotos suas, que eu quase acredito que são reais, tenho vivido há tanto tempo com essas. Que eu quase acredito que as fotos são tudo que posso sentir.
"Adeus, Monalisa."


Escrito por: Pillow.