O Sol brilhava lá fora. Pelo menos eu acho, pois era difícil ver com tantas nuvens na frente. Nervosismo e muitas borboletas no meu estomago, “se acalme, não faça nenhuma bobagem” era a única coisa que eu conseguia pensar. Ok, estamos quase chegando, estou sozinha e não conheço ninguem de lá, nem sei porque tive essa ideia estúpida. Agora sim estou apavorada, por que fui pensar nisso? “She's a free soul burnin' roads with a flag in her bra” estava com essa música na cabeça, era a última que eu tinha ouvido antes de ir embora. Acho que essa música tem muito em comum comigo neste momento, “Ride ride pony, ride ride”.
O garoto sentado do lado cantarolava uma música que eu não conseguia identificar, eu olhava pra ele algumas vezes, como se estivesse procurando alguma coisa, mas nunca diretamente em seus olhos. Tenho essa coisa de pensar que quando eu olho para os olhos de alguém, ela automaticamente percebe que eu estou olhando para ela.
- Er... perdeu alguma coisa? - Como sou sortuda, ele percebeu que estava olhando para ele, e agora?
- Não, não é nada... Só estou tentando descobrir que música você está cantarolando
- Ah, não é música, tô inventando na hora. É um bom modo de fazer o tempo passar aqui.
Passamos o resto do tempo conversando sobre tudo. Temos muitas coisas em comum. Livros, músicas, bandas e opiniões. Seu nome é Luca, e ele tem olhos azuis, e que olhos azuis...
- Mas e quando chegarmos lá, o que vai fazer da vida? - Me perguntou
- Estou pensando em fazer faculdade, e depois começar uma nova vida. Não sei ainda, são tantas oportunidades...
- Espero não perder contato com você quando sairmos daqui.
O dia já não estava ensolarado, as nuvens aumentaram e o céu escurecendo, mas eu já não ligava, pois tudo o que eu queria é que aquele momento durasse para sempre, para eu continuar do lado daquele garoto para sempre.
- Senhores passageiros, desembarque pela esquerda - A aeromoça disse. "Droga" pensei.
Estavamos pegando nossas malas, tinha trazido uma quantidade considerável de roupas, Lucas estava me ajudando.
- Não precisa disso, Luca, vou ficar sem graça com você levando a maioria da minha bagagem.
- Não tem problema, estou precisando fazer levantamento de peso na academia mesmo.
Fomos até o Starbucks que ficava dentro do aeroporto. Vi que ele sabia muito pouco de inglês, mas mesmo assim ele me pagou uma bebida. Sentamos em uma mesa e continuamos a conversar.
- Mas você não me disse - eu perguntei - o que pretende fazer aqui?
- Estou tentando seguir a carreira de ator, no Brasil isso não é muito valorizado.
- É verdade, eu vou tentar fazer faculdade de direito por aqui, dizem que são boas.
- Já tem um lugar para ficar?
- Ainda não, vou ficar em um hotel perto da Times Square eu acho.
- Se quiser pode morar comigo por um tempo, vou para uma república.
- Seria ótimo, obrigada
- De nada, é um prazer, anote o meu número de celular para nos falarmos mais tarde, quem sabe vamos ao cinema ou a um restaurante...
Ficamos muito tempo conversando. Nova York me parecia tão pequena agora. Não existia mais o medo nem o nervosismo. As borboletas no estômago foram finalmente libertas.
Spark.



