quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Borboletas.


O Sol brilhava lá fora. Pelo menos eu acho, pois era difícil ver com tantas nuvens na frente. Nervosismo e muitas borboletas no meu estomago, “se acalme, não faça nenhuma bobagem” era a única coisa que eu conseguia pensar.  Ok, estamos quase chegando,  estou sozinha e não conheço ninguem de lá, nem sei porque tive essa ideia estúpida. Agora sim estou apavorada, por que fui pensar nisso? “She's a free soul burnin' roads with a flag in her bra”  estava com essa música na cabeça, era a última que eu tinha ouvido antes de ir embora. Acho que essa música tem muito em comum comigo neste momento, “Ride ride pony, ride ride”. 
O garoto sentado do lado cantarolava uma música que eu não conseguia identificar, eu olhava pra ele algumas vezes, como se estivesse procurando alguma coisa, mas nunca diretamente em seus olhos. Tenho essa coisa de pensar que quando eu olho para os olhos de alguém, ela automaticamente percebe que eu estou olhando para ela.
- Er... perdeu alguma coisa? - Como sou sortuda, ele percebeu que estava olhando para ele, e agora? 
- Não, não é nada... Só estou tentando descobrir que música você está cantarolando
- Ah, não é música, tô inventando na hora. É um bom modo de fazer o tempo passar aqui.
Passamos o resto do tempo conversando sobre tudo. Temos muitas coisas em comum. Livros, músicas, bandas e opiniões. Seu nome é Luca, e ele tem olhos azuis, e que olhos azuis...
- Mas e quando chegarmos lá, o que vai fazer da vida? - Me perguntou
- Estou pensando em fazer faculdade, e depois começar uma nova vida. Não sei ainda, são tantas oportunidades...
- Espero não perder contato com você quando sairmos daqui.
O dia já não estava ensolarado, as nuvens aumentaram e o céu escurecendo, mas eu já não ligava, pois tudo o que eu queria é que aquele momento durasse para sempre, para eu continuar do lado daquele garoto para sempre.
- Senhores passageiros, desembarque pela esquerda - A aeromoça disse. "Droga" pensei.
Estavamos pegando nossas malas, tinha trazido uma quantidade considerável de roupas, Lucas estava me ajudando.
- Não precisa disso, Luca, vou ficar sem graça com você levando a maioria da minha bagagem.
- Não tem problema, estou precisando fazer levantamento de peso na academia mesmo.
Fomos até o Starbucks que ficava dentro do aeroporto. Vi que ele sabia muito pouco de inglês, mas mesmo assim ele me pagou uma bebida. Sentamos em uma mesa e continuamos a conversar.
- Mas você não me disse - eu perguntei - o que pretende fazer aqui?
- Estou tentando seguir a carreira de ator, no Brasil isso não é muito valorizado.
- É verdade, eu vou tentar fazer faculdade de direito por aqui, dizem que são boas.
- Já tem um lugar para ficar?
- Ainda não, vou ficar em um hotel perto da Times Square eu acho.
- Se quiser pode morar comigo por um tempo, vou para uma república.
- Seria ótimo, obrigada
- De nada, é um prazer, anote o meu número de celular para nos falarmos mais tarde, quem sabe vamos ao cinema ou a um restaurante...
Ficamos muito tempo conversando. Nova York me parecia tão pequena agora. Não existia mais o medo nem o nervosismo. As borboletas no estômago foram finalmente libertas.

Spark.

Grito apagado.

Como começar?. Contar tudo isso em primeira pessoa pode ser assustador, assombroso. Mas será que vale a pena? Perguntas demais para tentar começar dizer algo pelo final.
Então lá estava, caída. Com sangue  nas mãos e espalhado no chão. Errei, era só isso que se passava dentro de mim, e juntamente com a dor eu ia esquecendo de tudo. Voltei ao começo.
Horrível mesmo, após a morte ou ver algum ser que você ama morrer, é o primeiro dia onde chamo de "canto dos malditos", a escola. Eu tinha acabado de me arrumar, mas ali, todos andavam mais que arrumados... Exagerados. Olhavam torto pra mim, ao certo viraría a excluída da história.  Não! Não queria que se repetisse o mesmo comigo nesse novo colégio. Em menos de dois meses eu me tornei amiga das chamadas "popes" (Garotas enojadas, mas diferente dos filmes, não se vestiam de rosa. Muito menos passariam por cima de alguém para se auto-valorizar. Pelo menos eu achava isso). A loira das "pops" era Lua, seu nome? nunca soube. Minha nova amiga, me puxando pelo braço apresentou seu namorado. E tempos depois ele ficara "correndo atras" de mim. Eu fuji, e dentro de minha cabeça eu aparentava uma criança de sete anos, do qual sentia tanto medo de descobrirem o que está acontecendo. Mesmo eu não tendo nenhuma parcela de culpa. Apos tantos e tantos meses de convivio, notei que todos considerados os mais conhecidos da escola, tinham uma tatuagem no pescoço. 
- Lua. Isso não faz sentido, não pode ser coincidencia todos terem a mesma tatuagem. - Eu dizia com um olhar fixo ao eu pescoço.
- Uhum. - Ela respondia  comendo. 
- Afinal, o que é isso algum tipo de navalha?. 
- São tatuagens de navalhas. 
- A figura é isso?
- Sim, e o desenho é feito com a própria navalha do Westville. 
- Westville? -Agora sim, meus olhos haviam sido fixados. 
- Algum dia descobrirá. 
E foi pela maldita ansiedade que eu os segui a noite. Todos saíam e eu logo atrás, sem que percebessem minha presença. Com passos cuidadosos para não fazer barulho, por mais incrível que parecesse... Nunca, nunca mesmo o sol aparecia ali, era chuva vinte e quatro horas por dia, e eu pensava enquanto caminhava e com medo de afundar "Esse solo logo logo, vai engolir a tudo e a todos.. Não conseguirá nem ao menos absorver mais nada."   Notei que todos haviam entrado num labirinto, que talvez, eu tinha medo de entrar. E por ser consumida por esse medo, só pisei no primeiro bloco de pedra. E foi quando senti um peso nos pés e decidi ir embora. 
Chegando em casa, minha irmã chama a minha atenção:
- Ninguém além de mim notou a aparência cinzenta desse lugar? O frio, o clima pesado e as pessoas que parecem nem ter mais animo de viver?.
- Cale a boca, não fale besteira. - Antes que isso entrasse em minha cabeça, eu negava tudo!.
Ao deitar, fechando os olhos. Notei que meu cabelo castanho havia se transformado em preto, meus olhos igualmente, meu pijama de estampa em uma camisola de seda preta. 
- Socorro!. - Soou um eco. E minha irmã apareceu batendo a porta.
- O que ta acontecendo?
- P-p-p-p-por que eu estou assim? De cabelo, traje e olhos pretos?
- Loucura né? Você sai de casa de um jeito e chega de outro. Quando você chegou, até pensei que suas amigas haviam te transformado. Ficou até bem, com clima daqui.
- Sai do meu quarto. - Eu apontava para a porta, até num tom grosso. Mas nada estava mais assutada do que eu em frente ao meu reflexo.
Foram passando os dias, fui ficando estranha, não tinha vontade de voltar para casa, me afastava de todos e já não respeitava mais ninguém. E todas as noites, sonhava com anjos vestidos de preto, me cortando. Entrei no tal labirinto enquanto todos estavam la embaixo. Cadu, o namorado da Lua disse em alto tom para que todos escutassem:
- Então, chegou o dia da novata. - Ele ria enquanto todos os outros riam junto.
- O que acontece aqui todas as noites? -Quase chorava. 
- Esperamos você chegar pra tudo fazer sentido.
Tudo fazer sentido. Então era isso? Enquanto para eles fazia sentido, para mim era mais confuso que quebra cabeça de uma cor só.
- Vou embora daqui. -Eu corri em direção á saída. Então, alguns garotos me seguraram.
- Chegou a hora da navalha, flor. - Me chamavam de flor, mas mal reparavam na minha aparência.
- Não quero. Podem parar com isso.
- Aqui é o tal Westville. Existe há milhões de anos, e já sabíamos que você se negaria a fazer a navalha. Mas nós precisamos de sangue de alguém novo, que acabou de pisar no West para continuar existindo. Inclusive você.
- O que tenho a ver com isso? -Me debatia.
- Você precisa fazer a navalha para sobreviver.
- Tudo bem. Podem ir buscar a navalha. 
Quando se aproximaram de mim com o tal objeto cortante. Chamei minha 'querida' amiga, culpada de tudo aquilo. E dei um grito forte demais para o meu pulmão.
- Vocês me transformaram numa parasita, num objeto. Em algo que eu não queria ser. Querem sangue?. Então vocês terão sangue. 
Minhas mãos tremiam mas eram capaz de fazer o que fiz, apunhalei o pescoço da Lua... E caindo no chão, o desespero começou a pesar em minha cabeça. E ao colocar a mão no peito, percebi a ponta da lança que Cadu tinha em suas mãos... Então lá estava, caída. Com sangue  nas mãos e espalhado no chão. Errei, era só isso que se passava dentro de mim, e juntamente com a dor eu ia esquecendo de tudo. Fechei os olhos, e então, ao lado da Lua... Meus olhos e cabelos voltaram ao castanho.

Escrito por: Pillow

quarta-feira, 28 de setembro de 2011


Eu nunca sei como começar um blog. Muito menos uma apresentação. Eu tinha outra apresentação escrita aqui, mas ela estava ridícula e decidi apagar. Eu sou a Spark, fizemos esse blog em 2011 e achamos a ideia de usar esses nomes fake super legais, mas agora em 2015 eu realmente não ligo se souberem nossos nomes reais (mas não vou falar o meu para manter o espírito da coisa, não é?). Eu não gosto da maioria dos meus textos, acho que a Pillow escreve mil vezes melhor do que eu, mas vou deixar a autodepreciação (um pouco) de lado para postar meus contos aqui. Às vezes eles são fictícios, às vezes são coisas do meu dia-a-dia que eu gostaria de poetizar em forma de conto e às vezes são apenas pensamentos que vêm me incomodando. É isso, boa leitura. 
Spark.
Vamos fazer um trato, vocês não perguntam o meu nome e eu escrevo histórias legais. Feito?. Sim, nós, as sisters, não nos dirigiremos através de nomes, e sim de escritoras fictícias criadas por nós. No meu caso, a Pillow. Meu objeto preferido. Tudo começou com uma das sisters comentando em montar um blog onde postaríamos curtas histórias. Ou seja, contos de um só post. Eu, que não nego uma oportunidade de escrever, nem que saia ruim, pedi para me juntar. Pois deu certo. Já que não vou usar meu nome, não vou falar de mim a fundo, por que não faria o menor sentido. As sisters são veteranas em escrever, mas não quer dizer que somo boas  no que fazemos. Abandonamos muitas coisas que começamos a escrever a longo prazo, mas dessa vez não vai ser assim. Promessa. Eu nem faço ideia de como me apresentar, mas acho que isso é tudo. Lembrando que não postaremos histórias com um único gênero. E muitas vezes podemos criar algo que ja tenha acontecido conosco, ou que estejamos vivenciando. E também, não liguem para os tamanhos referidos aos textos, podem ser de minúsculos a enormes. 
Leiam até enjoar de nós. Mentira, não enjoem. 
Pillow.