quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Grito apagado.

Como começar?. Contar tudo isso em primeira pessoa pode ser assustador, assombroso. Mas será que vale a pena? Perguntas demais para tentar começar dizer algo pelo final.
Então lá estava, caída. Com sangue  nas mãos e espalhado no chão. Errei, era só isso que se passava dentro de mim, e juntamente com a dor eu ia esquecendo de tudo. Voltei ao começo.
Horrível mesmo, após a morte ou ver algum ser que você ama morrer, é o primeiro dia onde chamo de "canto dos malditos", a escola. Eu tinha acabado de me arrumar, mas ali, todos andavam mais que arrumados... Exagerados. Olhavam torto pra mim, ao certo viraría a excluída da história.  Não! Não queria que se repetisse o mesmo comigo nesse novo colégio. Em menos de dois meses eu me tornei amiga das chamadas "popes" (Garotas enojadas, mas diferente dos filmes, não se vestiam de rosa. Muito menos passariam por cima de alguém para se auto-valorizar. Pelo menos eu achava isso). A loira das "pops" era Lua, seu nome? nunca soube. Minha nova amiga, me puxando pelo braço apresentou seu namorado. E tempos depois ele ficara "correndo atras" de mim. Eu fuji, e dentro de minha cabeça eu aparentava uma criança de sete anos, do qual sentia tanto medo de descobrirem o que está acontecendo. Mesmo eu não tendo nenhuma parcela de culpa. Apos tantos e tantos meses de convivio, notei que todos considerados os mais conhecidos da escola, tinham uma tatuagem no pescoço. 
- Lua. Isso não faz sentido, não pode ser coincidencia todos terem a mesma tatuagem. - Eu dizia com um olhar fixo ao eu pescoço.
- Uhum. - Ela respondia  comendo. 
- Afinal, o que é isso algum tipo de navalha?. 
- São tatuagens de navalhas. 
- A figura é isso?
- Sim, e o desenho é feito com a própria navalha do Westville. 
- Westville? -Agora sim, meus olhos haviam sido fixados. 
- Algum dia descobrirá. 
E foi pela maldita ansiedade que eu os segui a noite. Todos saíam e eu logo atrás, sem que percebessem minha presença. Com passos cuidadosos para não fazer barulho, por mais incrível que parecesse... Nunca, nunca mesmo o sol aparecia ali, era chuva vinte e quatro horas por dia, e eu pensava enquanto caminhava e com medo de afundar "Esse solo logo logo, vai engolir a tudo e a todos.. Não conseguirá nem ao menos absorver mais nada."   Notei que todos haviam entrado num labirinto, que talvez, eu tinha medo de entrar. E por ser consumida por esse medo, só pisei no primeiro bloco de pedra. E foi quando senti um peso nos pés e decidi ir embora. 
Chegando em casa, minha irmã chama a minha atenção:
- Ninguém além de mim notou a aparência cinzenta desse lugar? O frio, o clima pesado e as pessoas que parecem nem ter mais animo de viver?.
- Cale a boca, não fale besteira. - Antes que isso entrasse em minha cabeça, eu negava tudo!.
Ao deitar, fechando os olhos. Notei que meu cabelo castanho havia se transformado em preto, meus olhos igualmente, meu pijama de estampa em uma camisola de seda preta. 
- Socorro!. - Soou um eco. E minha irmã apareceu batendo a porta.
- O que ta acontecendo?
- P-p-p-p-por que eu estou assim? De cabelo, traje e olhos pretos?
- Loucura né? Você sai de casa de um jeito e chega de outro. Quando você chegou, até pensei que suas amigas haviam te transformado. Ficou até bem, com clima daqui.
- Sai do meu quarto. - Eu apontava para a porta, até num tom grosso. Mas nada estava mais assutada do que eu em frente ao meu reflexo.
Foram passando os dias, fui ficando estranha, não tinha vontade de voltar para casa, me afastava de todos e já não respeitava mais ninguém. E todas as noites, sonhava com anjos vestidos de preto, me cortando. Entrei no tal labirinto enquanto todos estavam la embaixo. Cadu, o namorado da Lua disse em alto tom para que todos escutassem:
- Então, chegou o dia da novata. - Ele ria enquanto todos os outros riam junto.
- O que acontece aqui todas as noites? -Quase chorava. 
- Esperamos você chegar pra tudo fazer sentido.
Tudo fazer sentido. Então era isso? Enquanto para eles fazia sentido, para mim era mais confuso que quebra cabeça de uma cor só.
- Vou embora daqui. -Eu corri em direção á saída. Então, alguns garotos me seguraram.
- Chegou a hora da navalha, flor. - Me chamavam de flor, mas mal reparavam na minha aparência.
- Não quero. Podem parar com isso.
- Aqui é o tal Westville. Existe há milhões de anos, e já sabíamos que você se negaria a fazer a navalha. Mas nós precisamos de sangue de alguém novo, que acabou de pisar no West para continuar existindo. Inclusive você.
- O que tenho a ver com isso? -Me debatia.
- Você precisa fazer a navalha para sobreviver.
- Tudo bem. Podem ir buscar a navalha. 
Quando se aproximaram de mim com o tal objeto cortante. Chamei minha 'querida' amiga, culpada de tudo aquilo. E dei um grito forte demais para o meu pulmão.
- Vocês me transformaram numa parasita, num objeto. Em algo que eu não queria ser. Querem sangue?. Então vocês terão sangue. 
Minhas mãos tremiam mas eram capaz de fazer o que fiz, apunhalei o pescoço da Lua... E caindo no chão, o desespero começou a pesar em minha cabeça. E ao colocar a mão no peito, percebi a ponta da lança que Cadu tinha em suas mãos... Então lá estava, caída. Com sangue  nas mãos e espalhado no chão. Errei, era só isso que se passava dentro de mim, e juntamente com a dor eu ia esquecendo de tudo. Fechei os olhos, e então, ao lado da Lua... Meus olhos e cabelos voltaram ao castanho.

Escrito por: Pillow

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