sábado, 1 de outubro de 2011

Timidez.

Eu poderia ter escolhido qualquer sentimento aquela hora, qualquer coisa. Mas morrer estaria perfeito.
Fazia dois anos que eu o tinha conhecido, eu mal sabia o seu nome. E claro, eu não revelei meu nome também, não tinha nem coragem de olhar em seus olhos. Voltei a correr pelos campos perto de casa, atendendo o celular.
- Está querendo sair? - Até a voz dele era obscura.
- Não, mas também não "estou querendo" ficar sentada na grama.
Cinema, programa sobre finais de semanas baratos, que apesar de tudo. Ainda usufruímos de tudo isso, até com quem tínhamos medo. Chegando ali, eu o cumprimentava sem olhar em seu rosto. Quase num pedido de desculpa por achar que uma mulher não podia sair com um amigo sem estar em meio a um relacionamento;
- Por que não olha em meus olhos?.
E pela simples razão de não querer dizer a verdade, por medo de mergulhar no ácido, de cair no sal. Medo de amar. Somente veio alguma coisa a minha cabeça.
- Como se isso importasse a você.
Ao entrarmos na livraria tão vazia, mantenho distancia. Segurança.  o que eu mais temia acontece.. Falar sobre mim.
- Você é tão tímida, mas provocativa com o seu jeito de colocar mechas de cabelo atrás da orelha. Como passa sua mão pelo pescoço quando se incomoda com algum comentário e se sente constrangida. Você não é decifrável. Impossível saber se você é realmente um sexo frágil. Parece mais forte do que qualquer bicho de sete cabeças.
- Pare de me analisar. -Sim, eu passei as mãos pelo pescoço, afastando o cabelo. E isso só fazia de mim uma garota qualquer.
- Analisar?. Pare de se desmerecer. Acha mesmo que tudo isso é mentira?.
- Desisto, realmente eu desisto. -Viro as costas. Indo embora? sim.
E ao segurar-me pelo braço, escuto sua respiração perto de meu cabelo escondido atrás das orelhas. E um sussurro. Fazendo me virar rapidamente, com um olhar fixo em seus olhos.
- Case comigo. -Dizia ele em tom sério, exalado sorrisos.
Duas palavras. Dez letras que tinham o poder de fazer meus joelho dobrarem, e fazer com que a timidez odiada subir aos olhos. E com o olhar fixado no dele, a timidez escorreu pelo rosto através de substancia pior que ácido. Lagrimas.


Escrito por: Pillow

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